UMA IDEIA
pra você decidir se quer
Oi, Cissa.
Esta página não é um presente. É a explicação de um presente que eu pensei em te dar, e que ainda não existe. Antes de montar, eu quis te contar a ideia.
O QUE SERIA
Um assistente de inteligência artificial só seu, pra ser parceiro de conversa. Principalmente pras coisas grandes e chatas-de-tão-boas: os livros que você está lendo, o que é verdade, no que dá pra acreditar e por quê, religião, as perguntas que não têm resposta pronta.
Ele não ia tentar te convencer de nada. Nem te empurrar pra uma crença, nem pra longe de nenhuma. O trabalho dele seria te fazer pensar melhor, te devolvendo perguntas em vez de respostas mastigadas. Tipo aquela pessoa mais velha que leu tudo, discute de igual pra igual e nunca te trata como criança.
E ele não seria uma pessoa. É um programa, e saberia disso. Não ia ser seu amigo de verdade nem substituir gente de verdade: pra isso continua valendo conversar com os seus, com os amigos, com seus pais. Mas como adversário numa boa discussão? Seria ótimo.
VOCÊ DARIA O NOME
Ele viria sem nome. Quem batiza é você: um nome bonito, uma piada interna, um personagem que você curte. Seria a primeira coisa ali 100% sua. Bastava chamar pelo nome escolhido e pronto, ele passava a ser aquilo.
Ele também ia responder na língua em que você escrevesse. Português, inglês, misturado, tanto faz.
POR BAIXO DO CAPÔ
Não tem mágica nenhuma, e essa é a parte legal. Este é o caminho que cada mensagem sua faria:
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1. VOCÊ ESCREVE
No celular ou no computador, com a sua senha. A conversa ficaria salva nos dois, então dava pra continuar de onde parou.
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2. A TELA DE CONVERSA
Uma página parecida com um aplicativo de mensagens. É um programa gratuito, feito por um monte de gente, chamado Open WebUI. Ele guarda as conversas e manda sua mensagem adiante.
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3. O TÚNEL
A mensagem viaja por um "túnel" na internet (do Cloudflare, a mesma empresa que entrega o cissa.me). Ele liga a tela à máquina que pensa sem deixar nenhuma porta aberta pra estranhos.
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4. A PLACA DE VÍDEO ACORDA
Do outro lado tem uma placa de vídeo potente (a tal da GPU, a mesma peça que faz os jogos rodarem), num computador bem longe daqui. Ela liga quando você manda mensagem e desliga quando você para. Por isso a primeira resposta depois de um tempo parada demoraria uns segundos a mais: é a máquina acordando.
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5. O MODELO ESCREVE
Na placa roda o modelo: um programa gigante chamado Gemma, feito pelo Google e aberto pra qualquer um usar. Ele é feito de uns 12 bilhões de números, ajustados lendo uma montanha de texto. Ele lê as minhas instruções (mais abaixo), lê a sua mensagem e escreve a resposta uma palavra de cada vez.
...e a resposta volta pelo mesmo caminho, de trás pra frente, até a sua tela.
UMA PALAVRA DE CADA VEZ
A IA não "sabe" as coisas do jeito que você sabe. O que ela faz, com muita matemática, é adivinhar qual palavra faz mais sentido vir em seguida. Depois a próxima. Depois a próxima. Quando você entende isso, ela fica menos assustadora e bem mais interessante.
Experimenta: escolha a próxima palavra, ou deixe a "IA" sortear.
As porcentagens daqui fui eu que inventei. Uma IA de verdade escolhe entre mais de 260 mil pedaços de palavra, com números que ela aprendeu lendo. E nem sempre pega a mais provável: um pouquinho de sorteio deixa o texto menos robótico.
AS INSTRUÇÕES
O jeito dele conversar (o tom, a mania de devolver pergunta, a regra de nunca te empurrar uma crença) quem escreve sou eu. Dá pra moldar o comportamento de uma IA dessas com um texto de instruções que ela lê antes de cada conversa. Escrevi em inglês. Uns pedaços:
- "You don't come with a name. Cissa gets to name you." Você não vem com nome. Quem te dá nome é a Cissa.
- "Lead with questions at least as often as answers." Comece com perguntas pelo menos tanto quanto com respostas.
- "You're helping her think, not handing her conclusions." Você está ajudando ela a pensar, não entregando conclusões.
- "Never proselytize, never nudge her toward faith or away from it." Nunca tente converter, nunca empurre ela pra fé nem pra longe dela.
- "You don't pretend to be human." Você não finge ser gente.
- "...keeps pointing her back toward the real people in her life." ...e sempre aponta de volta pras pessoas de verdade da vida dela.
O COMBINADO
Você teria a sua própria senha. Mas, sendo reto com você, porque é assim que a gente se trata: não seria um diário secreto que some. As conversas ficariam guardadas, e seus pais poderiam te pedir a senha e ler, se quisessem. A ideia não é te vigiar: é ser um espaço pra você pensar alto, com liberdade, sabendo onde ela começa e termina. Seja você mesma ali. Só não confunda com cofre.
Até o endereço eu já tinha pensado: cissa.ai, com .ai de propósito, que é a sigla em inglês de inteligência artificial.
Essa foi a minha ideia.
Mas achei melhor esperar você decidir se quer realmente isso, ou se quer outra coisa. Pode ser isso, pode ser outra coisa bem diferente. Pensa com calma e depois me fala.
— Tio Rafael